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Em 36 anos, Brasil será um país de idosos

Em pouco tempo, o Brasil será um país de idosos. A expectativa é da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê que em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos seja mais que o dobro que a de crianças e adolescentes com até 15 anos. Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Nezilour Lobato Rodrigues acredita que o país não está preparado para esse boom de envelhecimento. E alerta para a necessidade de investimentos para esse público que, daqui a 36 anos, poderá chegar a 65 milhões.

“É iminente a necessidade de se investir mais em políticas públicas que valorizem e protejam os idosos, além de trazer à reflexão quanto ao perfil do idoso do século XXI”, relata Nezilour Lobato Rodrigues, que é geriatra. Na próxima semana, entre 29 de abril e 3 de maio, ele participa do congresso brasileiro da área, em Belém, no Pará. Esse será um dos temas debatidos. Além disso, estará em pauta as fragilidades que afetam esse público nos campos da saúde, educação, qualidade de vida, acessibilidade e inserção no mercado de trabalho.

O IBGE destaca que, focando na população com 60 anos ou mais, em termos absolutos, espera-se que haja duplicação da quantidade de pessoas. Em 2030, de acordo com projeções, o número de idosos já deve superar o número de crianças em 4 milhões. Em 2050, essa diferença deve subir para 35,4 milhões e a quantidade de crianças e adolescentes com até 15 anos será de 28,3 milhões, contra 65 milhões de idosos. Esse ano, a média de pessoas acima de 60 anos ainda é menor que a dos pequenos.

Segundo a SBGG o declínio das taxas de fecundidade e o aumento da longevidade são alguns dos fatores que têm levado ao envelhecimento da população. No Brasil, a expectativa de vida para ambos os sexos é de 73,1 anos (homens: 69,4/mulheres: 77 ), e a tendência é que aumente ainda mais com o passar do tempo. Para Nezilour, faz-se necessário uma mudança de mentalidade frente ao idoso do século XIX. “Hoje pessoas com mais de 60 anos mantém as habilidades físicas e mentais necessárias para uma vida independente, o que contribui para o envelhecimento ativo e a permanência no mercado de trabalho”, avalia Nezilour.

Políticas públicas

Outro aspecto ponderado pela especialista refere-se ao olhar diferenciado a ser adotado ao se falar em idoso no Brasil. “Hoje não mais devemos atrelar a velhice à doença ou a símbolos como óculos e bengalas. Temos, na verdade, uma população idosa altamente produtiva e ativa, que atinge, em grande parte, a maior idade com qualidade de vida”, relata. Frente a este perfil, a presidente da SBGG e do CBGG defende a necessidade de se investir mais em políticas públicas, concretas, assistencialistas e que valorizem e protejam os idosos são algumas das formas de aperfeiçoamento

O idoso deve ser visto, sobretudo, com um olhar integral, não apenas centrado em saúde, mas em educação, cultura, entretenimento, esportes. É preciso enxergar o velho não de forma linear na idade, mas no que compete cada momento da vida, inclusive, dos centenários. Uma população de 60 até os 100 anos não pode ser cuidada da mesma forma.

Mestre em psicologia organizacional e coaching de executivos, Cyndia Bressan confirma que cada dia mais o idoso tem se mantido na ativa após a aposentadoria. “E isso é muito bom. Além de continuarem a fomentar a economia, faz bem para saúde física e mental”. A psicóloga acrescenta que, em muitos casos, a permanência no mercado se dá pela necessidade financeira e muitos encontram entraves no caminho. “Infelizmente o nosso mercado ainda dá prioridade aos jovens e até exclui as pessoas que se aproximam dos 50 anos”.

E muitos idosos mudam de ramo de trabalho depois que chegam nessa idade. E uma dica da coaching é pensar nessa possível virada antes dela chegar. “Planejar é o caminho. O mercado é amplo e irrestrito, mas sem planejamento é impossível chegar ao sucesso, independente da idade”. Ela orienta que, caso tenha dificuldade, o interessado pode procurar profissionais para identificar habilidades e interesses e a partir daí, elaborar um plano de “nova carreira”. Segundo ela, quanto mais cedo elaborar esse projeto, mais fácil poderá ser essa transição.

Além disso, a psicóloga recomenda realização de cursos, desde graduações, cursos tecnológicos, cursos de extensão e pós graduações. “É preciso estar antenado para o mercado escolhido. Nunca se está velho para nada. Sempre é tempo de buscar o que se quer”.

Fonte: O Hoje

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