Economia deve crescer 3%

Previsão é de economistas ouvidos pelo POPULAR, segundo os quais Goiás ficará acima da média nacional

Mesmo com o decepcionante resultado econômico no País, que deve fechar o ano com um Produto Interno Bruto (PIB) em 1%, o último trimestre de 2012 mostrou uma retomada do crescimento e animou as estimativas de economistas para 2013. Embora não vá alcançar os patamares dos últimos anos, a economia nacional deve crescer em torno de 3% no próximo ano, segundo previsões, e Goiás deve se manter acima dos números nacionais, tanto na produção, quanto na geração de empregos.

O índice estimado pelos especialistas é considerado moderado e deve ocorrer em função principalmente do baixo investimento a se concretizar em 2013. Dois fatores levam a esta perspectiva, explica o vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-GO), Marcos Arriel. Primeiro, porque o cenário econômico internacional, que ainda amarga os problemas com a crise europeia, continua a preocupar os empresários, que manterão suas linhas produtivas de forma limitada até retomarem a confiança na situação financeira global.

Além disso, a decisão do governo federal de priorizar a redução de impostos, com a desoneração da folha de pagamento e outras medidas, sem promover um corte importante nos gastos públicos, faz com que a receita para investir no País seja restrita. “Sobra menos para aplicar em setores tão necessários, como de infraestrutura, por exemplo”, frisa o economista.

Mesmo assim, Arriel acredita que haverá melhora significativa em investimentos que estiveram travados em 2012, prejudicados em muito pelo cenário de denúncias e casos de corrupção. Ele afirma que, em 2013, é possível que haja avanço na construção de ferrovias como a Norte-Sul e a de Integração Centro-Oeste, que beneficiam diretamente o Estado de Goiás.

Para o economista e professor da Universidade Estadual de Goiás Antônio Teodoro da Silva Junior, é indispensável que os portos e ferrovias saiam dos projetos para a prática no próximo ano. “Não há crescimento econômico sem uma base sólida para escoamento e movimentação de produtos”, frisa.

Trabalho e consumo

Com o crescimento maior do PIB, o mercado de trabalho será beneficiado, analisa o professor Cláudio Gonçalves, da Trevisan Escola de Negócios. O setor de construção civil, um dos grandes empregadores do País, deve continuar com altas contratações, influenciado pela proximidade da Copa do Mundo e pela expansão do setor na área habitacional.

Mas Antônio Teodoro alerta que esse crescimento na geração de renda e empregos, embora perdure, deverá ocorrer com taxas menores do que foi registrado antes, como reflexo do “fraco desempenho da economia nacional em 2012”.

Mesmo com uma taxa de desemprego baixa, o consumo pode dar sinais de estabilidade e o crédito ainda permanece abundante, afirma Marcos Arriel. “O consumo das famílias, que puxou o crescimento do País nos últimos anos, está chegando num limite. Por isso, o governo vai ter de priorizar investimentos para continuar avançando.” Atualmente, o porcentual investido fica entre 18% e 19% do total do PIB. O ideal para que uma economia cresça num ritmo acima de 5% é de 25%.

Pela previsão dos economistas, se o consumo permanecer estável, a inflação também deve ser manter entre 5% e 6%, um pouco acima da meta do governo, de 4,5%, mas dentro de um patamar tolerável. “O governo aceita tolerar a inflação neste patamar, porém, se não tivermos um crescimento econômico deslumbrante, tenderemos a ter um desgaste muito forte da equipe econômica e que acabará transferindo à presidenta o ônus de tal resultado”, frisa Antônio Teodoro.

Nesse cenário de estabilidade, a taxa básica de juros Selic, que hoje é de 7,25%, também não deve ser alterada no primeiro semestre. Caso o crescimento não alcance as expectativas do governo, ela poderá ser reduzida par 7%, opina Cláudio Gonçalves.

Diante destes porcentuais, que são os mais baixos da história, Antônio Teodoro acredita que o setor bancário deve apresentar mudanças nas linhas de crédito em 2013, com novos produtos e opções de investimentos, “distanciando-se das taxas de renda fixa e buscando indexação nas taxas de inflação, via títulos do tesouro direto.”

Câmbio

No que tange à variação do câmbio para o próximo ano, os economistas se divergem nas previsões. Para Marcos Arriel, nenhuma mudança brusca é interessante para o País, visto que tanto a desvalorização rápida do real quanto a do dólar podem provocar reações maléficas a setores produtivos distintos. Ele acredita que o governo deve atuar para que o dólar se estabeleça na casa dos R$ 2,20 (hoje está em torno de R$ 2,05).

Os outros dois economistas têm expectativa de que a moeda norte-americana fique em torno de R$ 2,10 a R$ 2,13. Em 2012, a forte entrada de produtos importados, em especial chineses, promoveu um reflexo negativo na economia nacional e por isso o governo atuou no controle do câmbio e também na desoneração do custo produtivo. Nesse sentido, Antônio Teodoro acredita que as medidas de redução da tarifa de energia, que passam a vigorar a partir do ano que vem, devem trazer efeitos positivos ao chamado “Custo Brasil”.

Estado ainda em vantagem

O perfil produtivo goiano, sustentado principalmente na exportação de commodities (em especial de minérios e grãos) e na indústria alimentícia, coloca o Estado em vantagem no crescimento econômico, analisa o vice-presidente do Conselho Regional de Economia, Marcos Arriel. Por isso, Goiás deve continuar a crescer acima do previsto para o PIB nacional, emprego e produção.

“Como se trata de produtos de primeira necessidade, se o Brasil cresce, o Estado acompanha; se a situação é moderada, ele se sustenta. Essa é uma tendência de estados do Centro-Oeste, que têm características semelhantes”, afirma.

Além disso, ele ressalta que os investimentos feitos ao longo dos últimos anos pelas indústrias farmoquímica e automobilística estão se concretizando agora e que a tendência é de crescimento para 2013.

Fonte: O Popular (GO)

Deixe um comentário