Dólar passa de R$ 4 pela primeira vez na história do real

São Paulo – Dúvidas sobre a aprovação de medidas fiscais necessárias para evitar que o Brasil tenha sua nota de crédito cortada por agências internacionais de classificação de risco e a preocupação com a crise global fizeram o dólar romper ontem a barreira dos R$ 4, para seu maior valor histórico.

No final da sessão, a sinalização de que o Congresso Nacional deveria manter para a noite de ontem a votação da chamada pauta bomba, sem derrubar vetos presidenciais a medidas que preveem o aumento dos gastos públicos, amenizou um pouco a alta do dólar e a queda da Bolsa brasileira, que chegou a perder 2,82% durante o dia.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou com valorização de R$ 1,58%, a R$ 4,054 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançou 1,80%, também para R$ 4,054. É o maior valor histórico de ambas as cotações. Na máxima de ontem, o dólar à vista chegou a atingir R$ 4,063, e o dólar comercial alcançou os R$ 4,068.

Mas é preciso considerar que o cenário econômico entre 1994, quando o Plano Real foi criado, e 2015 mudou drasticamente. O valor de R$ 4 naquela época, por exemplo, hoje valeria cerca de R$ 12,75, após correção inflacionária.

No mercado de ações, o principal índice da BM&FBovespa fechou no vermelho. O Ibovespa recuou 0,70%, para 46264 pontos. Por causa de uma falha no cálculo dos índices no Segmento Bovespa, a atualização e divulgação dos indicadores ficou paralisada entre as 10h30 e as 12h30. A situação foi normalizada no início da tarde.

“Há uma percepção negativa em torno do crescimento econômico global, o que tem afetado os preços das commodities e, consequentemente, os mercados mundiais também. Por isso, as principais Bolsas no exterior fecharam o dia no vermelho, colaborando para a perda do Ibovespa e a valorização do dólar atingindo este patamar histórico”, disse Rogério Oliveira, especialista em Bolsa da Icap.

Também contribuiu para o movimento a expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos ainda em 2015, o que retiraria investimentos de países emergentes, como o Brasil. Assim, entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, 23 delas se desvalorizaram em relação à moeda americana. O dólar de Hong Kong se manteve estável frente o dólar americano.

O salto da moeda dos EUA também deu força às apostas nas mesas de câmbio de que o BC pode ampliar ainda mais sua intervenção, pois cotações mais altas tendem a pressionar a inflação já elevada.

Na véspera, o BC realizou leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, mas o dólar ainda marcou o segundo maior fechamento contra o real na história. Mas não fez nesta sessão.

Fonte: O Popular

Deixe um comentário