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Delator diz que 12 empresas deram propina a Cunha em troca do FGTS

BRASÍLIA — Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica, acusou o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ter recebido propina de 12 empresas em troca da liberação de verbas do Fundo de Investimento (FI) do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com uma fonte, Cleto fez a afirmação num dos depoimentos que prestou à Procuradoria-Geral da República, depois de firmar acordo de delação premiada. Nesta terça-feira, o destino de Cunha na Câmara deve começar a ser julgado em reunião do Conselho de Ética, onde ele responde a processo por quebra de decoro parlamentar e pode ter o mandato cassado.

Os interrogatórios de Cleto já foram encerrados. O acordo depende de homologação do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos depoimentos, o ex-vice-presidente da Caixa disse que parte do dinheiro obtido de empresas interessadas na liberação de recursos do fundo era dele. Outra parte, mais expressiva, ia para Cunha. Ele disse ainda que tratava com os empresários sobre os aspectos técnicos dos projetos a serem financiados pelo FI. As negociações sobre a propina ficavam a cargo de Cunha.

DOLEIRO ENVOLVIDO

Cleto apontou o doleiro Lúcio Bolonha Funaro como um dos operadores de Cunha na movimentação de parte do dinheiro recebido das empresas. Cleto foi indicado para a vice-presidência da Caixa por Cunha. Ele foi demitido do cargo pela presidente afastada, Dilma Rousseff, logo após Cunha decidir dar seguimento ao processo de impeachment. Ele conhece Funaro, com quem trabalhou em São Paulo antes de ser levado para a Caixa.

O FI é formado com recursos do FGTS. A administração das aplicações está sob a responsabilidade da Caixa. Cleto confessou ter direcionado os recursos para empresas indicadas por Cunha. Só a Carioca Engenharia confessou ter pagado R$ 52 milhões de propina para liberação de recursos para empreendimentos imobiliários ligados ao Porto Maravilha, no Rio. O STF ainda deverá decidir nos próximos dias se acolhe pedido de prisão contra Cunha. O pedido foi apresentado pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, mês passado.

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No acordo de delação, ficou acertado que, além de devolver dinheiro aos cofres públicos, Cleto cumprirá prisão domiciliar e usará tornozeleira eletrônica. Terá ainda que prestar serviços à comunidade. O ex-vice-presidente da Caixa prestou depoimento por cinco dias consecutivos, numa média de dez horas por dia.

Na semana passada, Cunha disse que não falaria sobre o assunto porque não conhece o conteúdo da delação. Disse também, por intermédio da advogada Fernanda Tórtima, que não cometeu qualquer irregularidade vinculada à aplicação de recursos do FI do FGTS. O advogado Adriano Salles, responsável pela defesa de Cleto, disse que não fala sobre o caso. As assessorias do STF e da PGR também disseram que não farão qualquer comentário sobre o assunto.

DINHEIRO NO URUGUAI

Na sexta-feira passada, O GLOBO revelou que, na delação, Cleto citou contas por onde Cunha teria movimentado propina. Uma seria num banco no Uruguai. Ele teria falado ainda sobre movimentação financeira na Suíça, entre outros países. Cleto também falou sobre o laços entre Cunha e Funaro. O doleiro escapou de eventuais punições no mensalão porque fez acordo de delação, mas voltou à mira dos investigadores, desta vez da Lava-Jato.

Fonte: O Globo

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