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Conta de luz chega com valor dobrado para consumidores

Muitos consumidores goianienses levaram um susto quando receberam suas contas de energia elétrica de setembro: o valor veio praticamente o dobro do habitual. O problema foi causado pela falta de leitura dos relógios da capital no último mês de julho, que gerou uma grande diferença a ser paga nas faturas seguintes. A Celg anunciou que o gasto que deixou de ser cobrado em julho seria dividido em duas vezes e faturado nos talões de agosto e setembro, mas a fórmula como o parcelamento foi feito está gerando muita reclamação.

O psicólogo e professor universitário Rafael Moura Cardoso recebeu uma conta de R$ 195,13, sendo R$ 95 referente à “parcela acúmulo”. “Uma conta tão grande de uma vez prejudica muito o orçamento. Eles não informaram direito como seria cobrado esse parcelamento e o consumidor não estava preparado para isso”, reclama Rafael. Ele também procurou a Celg para questionar a última leitura de consumo feita no relógio de seu imóvel, que informou um consumo bem acima da média.

O comerciário Eneas Gabriel também se surpreendeu com o valor de sua conta de energia. Além da “parcela acúmulo”, ele também viu o consumo de sua residência disparar em setembro: de 67 para 537 quilowatts. O consumidor, que sempre pagava até R$ 40 mensais, recebeu uma fatura de R$ 284,26. “Mesmo com essa parcela adicional, o valor ainda está muito elevado para meu consumo”.

Leitura dobrada

Em julho, os consumidores pagaram apenas a taxa mínima e receberam um comunicado da Celg informando sobre o parcelamento. Mas todos esperavam que metade da conta de julho viesse em agosto e a outra metade em setembro.

Porém, o superintendente de Comercialização da Celg Distribuição, Leandro Chaves de Melo, explica que, como não houve leitura em julho, a leitura de agosto compreendeu os dois meses. “Se não houve leitura no período, não há como identificar o consumo de julho separadamente”, justifica. Por isso, o valor acumulado nos dois meses foi dividido em duas parcelas, sendo que a primeira foi cobrada em agosto, faturada como consumo normal do mês.

A segunda parcela, segundo Leandro, foi cobrada nesta fatura atual de setembro, destacada como “parcela de acúmulo” na fatura, e correspondeu praticamente a todo consumo que deixou de ser faturado em julho. O resultado foi o acúmulo na conta de setembro, o que está gerando muita reclamação.

Segundo ele, cerca de 300 mil consumidores foram afetados pela ausência da leitura em julho, causando um prejuízo de R$ 80 milhões à Celg, que só estão sendo cobrados agora. De acordo com ele, o consumidor que se sentir prejudicado pode procurar uma agência da Celg e solicitar o parcelamento do acúmulo em até seis vezes, mediante o pagamento de juros de 0,5% a 2% mensais.

As contas de setembro também vieram com o reajuste anual de 19% para os consumidores residenciais. Alguns consumidores receberam uma pequena parte da parcela acúmulo com o reajuste, de acordo com a data de vencimento. Segundo ele, essa diferença será devolvida na próxima fatura do usuário.

Explicações

A Agência Goiana de Regulação (AGR), responsável pela fiscalização do serviço em Goiás, cobrou explicações da Celg em relação à aparente falta do parcelamento e ao valor acumulado na fatura de setembro. O gerente de Energia da AGR, Jorge Pereira, lembra que o artigo 113 da Resolução Normativa da Aneel 414/2010, determina que o valor que deixa de ser faturado deve ser cobrado em duas parcelas. “Se deixar de cobrar um mês, são duas parcelas. Se deixar de cobrar dois meses, são quatro parcelas, para não onerar demais o orçamento do consumidor”, frisa.

Por isso, a agência enviou um ofício ao presidente da Celg Distribuição, Leonardo Lins de Albuquerque, solicitando explicações sobre a aparente ausência do parcelamento ou o método como ele foi feito. A companhia tem até a próxima segunda-feira para se explicar e comprovar que agiu dentro do que estabelece a norma. Segundo Jorge, a AGR também já está reunindo faturas de consumidores para avaliar a questão. Se for comprovado que a Celg não cumpriu o que manda a Resolução 414, a companhia pode ser multada.

Fonte: O Popular

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