Consumidor precisa usar a criatividade

Alta no preço dos alimentos preocupam economistas e donas de casa

Mais do que nunca, é preciso usar a criatividade. Para a presidente da Federação das Donas de Casa, se os preços continuarem nesse ritmo de alta, elas já pensam em fazer um manifesto para demonstrar a insatisfação do consumidor.

“O trabalhador não tem mais como comprar alimentos, pagar aluguel e outras despesas com salário mínimo. Daqui a pouco, o governo terá de ajudar a população com alimentos”, destaca.

Para o economista Marcelo Eurico de Sousa, gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais do Instituto Mauro Borges (IMB), essa alta nos preços dos alimentos já era esperada em março, mas não num índice tão elevado. “Esperávamos pressões sobre os preços das hortaliças e tubérculos por causa do aumento das chuvas, mas não neste índices”, ressalta. Ele lembra que a produção de alimentos ficou sujeita a situações extremas de seca e chuva por causa da instabilidade climática.

Marcelo ressalta que o tomate só não ficou ainda mais caro porque a produção interna consegue abastecer metade do mercado local. Ele alerta que os preços podem subir ainda mais se as chuvas continuarem fortes. Já a colheita da batata tem sido dificultada pelas chuvas, o que reduziu a oferta. Com os reajustes dos alimentos, o valor da cesta básica passou de R$ 248,07 em fevereiro para R$ 257,22 em março, uma alta de 3,7%.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), passado este período de colheita da primeira safra, realizada principalmente nos meses de dezembro e janeiro, os produtores comercializaram o feijão, diminuindo o estoque disponível. Como a demanda se manteve constante, os preços voltaram a subir, sendo que hoje o grão está sendo comercializado em torno de R$130,00 a saca, contra R$ 75 anteriores.

A alta nos preços dos combustíveis também contribuiu um pouco para a disparada da inflação de Goiânia em março, com destaque para o etanol, que ficou 4,25% mais caro. Porém, essa alta foi compensada por uma redução média de 10,9% nos preços das passagens de ônibus interestaduais e de 3,4% nos ônibus intermunicipais.

Mas vale lembrar que os reajustes dos combustíveis ainda devem pesar na inflação de abril, pois aconteceram mais no fim do mês passado. Para Marcelo, a expectativa é que o cenário de preços altos se mantenha este mês, que começou não só com pressão nos preços dos alimentos, mas também dos medicamentos e impostos sobre bebidas.

O consumidor está espantado. A gerente administrativa Hérica Cristina Lourenço se assustou ontem ao encontrar o quilo do tomate por R$ 7. “Cada dia está mais caro e mais difícil comprar. O dinheiro não está valendo nada”, reclama. Segundo ela, a saída tem sido trocar alguns alimentos e reduzir o consumo de outros que não tem substitutos. “Você gasta muito e não compra quase nada”, conta.

Fonte: O Popular

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