Consumidor deve preparar o bolso

Rio, São Paulo e Brasília – A solução encontrada pelo governo para aliviar o custo da energia a curto prazo — pressionado pelo aumento do consumo e pela seca, que fez o País ampliar o uso da energia cara das termelétricas — vai punir ainda mais os consumidores nos próximos cinco anos. O leilão de energia previsto para o dia 30 pode trazer um alívio para as empresas agora, mas vai significar preços mais altos até 2019, alertam especialistas.

Para piorar, parte desta energia mais cara será cobrada ao mesmo tempo em que o consumidor estará pagando na conta de luz o empréstimo de R$ 11,2 bilhões, contratado para sanar o atual rombo do setor. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) assinou nesta sexta-feira o contrato de financiamento junto a dez bancos — dois públicos e oito privados — para socorrer as distribuidoras.

O pagamento do empréstimo estará vinculado ao aumento na conta de luz (dos consumidores, residências e indústrias) por meio da elevação do Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma taxa embutida nas faturas da conta dos brasileiros. Apesar de o empréstimo ter sido estruturado nos últimos 30 dias e já estar com os custos definidos, nem a CCEE, nem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia souberam informar qual impacto terá na conta de luz.

PRAZO

O prazo para quitação dos financiamentos pelas distribuidoras, com intermediação da CCEE, será de dois anos. Os bancos que entraram no negócio são: Banco do Brasil e Caixa, com R$ 2,45 bilhões cada; Bradesco (R$ 2 bilhões); Itaú (R$ 2 bilhões); Santander (R$ 1 bilhão). CitiBank, BTG, Bank of America Merril Lynch, JP Morgan e Credit Suisse aparecem com cifras que variam de R$ 100 milhões a R$ 500 milhões.

De acordo com especialistas, as distribuidoras hoje precisam comprar no mercado livre, que negocia vendas à vista, cerca de 3.500 megawatts (MW/médios) para entregar ao consumidor.

Neste segmento, o preço do MW já chegou ao teto de R$ 822. Mas no leilão que será feito no dia 30, e que será para contratos de mais longo prazo, até 2019, o preço deverá sair a R$ 270, preveem especialistas. Os analistas explicam que trata-se de uma solução apenas provisória. Se a energia fica mais barata agora, subirá depois.

Em dois anos, afirmam, o preço da energia no mercado livre deve voltar ao patamar normal, ou seja, algo em torno de R$ 130 a R$ 140 o MW. Assim, a energia vendida no leilão por um preço em torno de R$ 270 será bem mais cara do que o usual.

O leilão extra do dia 30 foi estabelecido pelo governo para atrair as empresas geradoras a ofertarem energia no mercado. Sem a rentabilidade garantida por cinco anos, provavelmente essas empresas não abririam mão de vender energia a curto prazo, no mercado livre, a R$ 822. Mas a solução é a pior possível para o consumidor, dizem especialistas. Um empresário do setor que preferiu não se identificar diz que seria mais racional o governo pagar caro pela energia de curto prazo e garantir de três a quatro anos energia barata.

O professor Erik Eduardo Rego, da Fundação Vanzolini e e da Escola Politécnica da USP, destacou que a Petrobras deverá ser a empresa a oferecer maior volume de energia nesse leilão, com até 2 mil MW médios.

Fonte: O Popular

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