Centrais protestam pela queda dos juros

A manifestação promovida pelas centrais sindicais em protesto contra os juros altos, nesta terça em Brasília, parou o entorno da área onde está localizada a sede do Banco Central.

O ato político reuniu cerca de 500 pessoas, de acordo com a Polícia Militar – os organizadores estimaram em 3 mil manifestantes –, e contou com a participação das principais lideranças do meio sindical.

O protesto começou pela manhã, para coincidir com o início da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) para decidir sobre a nova taxa de juros Selic, que hoje é de 9,5%. O anúncio do índice está previsto para esta quarta. As centrais reclamam que o Copom aumentou seguidamente a taxa nos últimos meses e querem frear essa escalada de alta.

“O governo precisa entender que a política de juros altos só prejudica o setor produtivo, o comércio e a geração de postos de trabalho”, disse Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Força Sindical. Durante o protesto, ele criticou a falta de diálogo do governo com o movimento sindical, que, segundo sua avaliação, impede a aprovação da pauta de reivindicações trabalhistas, como redução da jornada de trabalho e fim do fator previdenciário.

“Se não fossem os sindicatos, não teríamos os aumentos reais de salários que garantem poder de compra aos trabalhadores”, disse Torres.

Para o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, as altas taxas beneficiam apenas as instituições bancárias. “Com os juros altos os bancos lucram muito mais do que já lucram. O aumento da taxa Selic só interessa aos bancos e à especulação no mercado financeiro. A classe trabalhadora é prejudicada”, afirmou o sindicalista.

Segundo a CUT, a expectativa de alguns analistas do mercado financeiro é de que haverá elevação de 0,5% na taxa Selic, o que totalizaria 10% no ano. Freitas rejeitou o argumento utilizado pelo Banco Central e por alguns economistas de que a taxa ajuda a controlar a inflação.

“Combater a inflação com alta de juros gera mais desemprego e mais recessão. O que mais afeta a taxa de juros é o câmbio. O governo tem de resolver o problema do câmbio, não aumentar os juros. Com a redução da taxa, o trabalhador poderá consumir mais, ter mais acesso ao crédito. Isso gera emprego, produção e desenvolvimento”, disse.


Fonte: Bom Dia

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