Celg volta ser alvo de embate entre governo e oposição

A inclusão de uma emenda na Medida Provisória (MP) 665, que aumenta impostos sobre bancos, para reduzir a dívida da Celg D com Itaipu foi motivo do mais novo embate entre o governo de Marconi Perillo (PSDB) e a oposição, liderada principalmente pelo PMDB e DEM. O governo defende a emenda para permitir que a companhia de energia volte ter capacidade de investir. A oposição afirma que o objetivo é a privatização da estatal.

A emenda converte boa parte da dívida da Celg D em dólar para reais e pela cotação de janeiro. Isto reduziria seu valor em até R$ 450 milhões, praticamente o montante que a estatal sob comando da Eletrobras prometeu investir neste ano. Com a emenda, a dívida hoje de aproxidamente R$ 1,350 bilhão com pagamento imediato, cairia para R$ 900 milhões e prazo de dez anos (sendo dois de carência) para pagar.

O governador Marconi e o ministro Aluizio Mercadante (Casa Civil) articularam inclusão da emenda na MP 665, apesar da resistência do ministro Joaquim Levy (Fazenda), já que o Tesouro nacional teria de arcar com a diferença da dívida da Celg D.

O senador Ronaldo Caiado (DEM), os deputados federais Daniel Vilela e Pedro Chaves, do PMDB, criticaram a emenda na MP dos bancos. Coube a Iris Rezende falar com o senador Eunício de Oliveira (CE), líder do PMDB no Senado. Num acordo com o governo federal, para garantir a votação da MP 665, a emenda foi retirada. Será reapresentada agora na MP 667, que tratará de interesses do setor elétrico.

Para evitar que a emenda seja novamente retirada, o governo estadual fez forte mobilização na semana passada na sua bancada federal e no meio empresarial goiano. O governador tucano disse que a oposição agirou de forma equivocada e irresponsável. “Fizeram isso por falta de informação ou por maldade política mesmo, jogando contra a empresa, contra Goiás e contra o governo federal”, disse para lideranças empresariais.

Líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado afirmou que vai apresentar requerimento nesta semana convidando Marconi Perillo para tratar do assunto em audiência no Congresso sobre a MP 667. “Será um momento oportuno para que os dados sejam confrontados e, com documentos apresentados, a sociedade tenha a noção de quais foram os dilapidadores da Celg”, alfinetou.

A conversão da dívida da Celg D em reais por cotação vantajosa dará alívio no caixa para a companhia investir na expansão e melhoria da rede de energia elétrica em Goiás. E, claro, terá reflexo positivo no balanço da estatal, tornado-a mais atrativa para a privatização, algo previsto para ocorrer em novembro. De olho na eleição de 2018, a oposição quer evitar a venda e a consequente injeção de até R$ 3 bilhões no caixa do governo de Marconi, já que o Estado é dono de 49% da Celg D.

Fonte: O Popular

Deixe um comentário