Celg é a pior distribuidora de energia no ranking da Aneel

Ainda sem a concretização do acordo com a Eletrobras e, consequentemente, sem os investimentos necessários, a Celg Distribuição (Celg D) alcançou o posto de pior distribuidora de energia do País, em ranking sobre qualidade de serviço divulgado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A companhia goiana é a última colocada de uma lista com as 35 distribuidoras brasileiras de grande porte.

A avaliação refere-se ao ano de 2013 e tem como base o indicador de Desempenho Global de Continuidade (DGC), que leva em conta o número de horas que o consumidor ficou sem energia elétrica e a frequência de interrupções. O POPULAR mostrou em janeiro que a Celg bateu novo recorde de apagões no ano passado, alcançando tempo médio de 40 horas de interrupções, em média, por consumidor goiano.

No ranking de 2012 da Aneel, a Celg era a segunda pior do País – só ficava à frente da Celpa, no Pará, que agora conseguiu subir duas posições. Em 2011, a companhia goiana aparecia em 28° lugar entre 33 grandes distribuidoras avaliadas.

A primeira colocada do novo ranking é a Companhia Energética do Ceará (Coelce), com DGC de 0,56. O desempenho da Celg tem avaliação de 1,94, bem acima da segunda pior, a Light, com 1,61.

Outros dados divulgados pela Aneel já apontavam a queda na prestação de serviço nos últimos anos. Além do tempo médio de apagões, a agência reguladora também apura a frequência de interrupções. No ano passado, a Celg alcançou 26,24 vezes, número bem superior à meta estabelecida pela Aneel, de 16,76 vezes.

Além disso, a empresa teve de desembolsar em 2013 R$ 55,7 milhões por ressarcimento ao consumidor, através de descontos na conta de luz, por conta dos apagões. Em 2012, foram R$ 54,24 milhões. No ano anterior, a empresa pagou R$ 23,7 milhões.

De acordo com a Aneel, o ranking é utilizado para a definição do chamado Fator X, que é aplicado na avaliação anual de reajuste tarifário, com impacto na cobrança de energia da distribuidora. Ainda segundo a agência, o levantamento é um instrumento que incentiva as empresas a buscarem a melhoria contínua da qualidade do serviço.

A reportagem não conseguiu contato com a direção da Celg. O chefe de Gabinete da presidência, Pedro André da Silva, informou que o titular da companhia, Leonardo Lins de Albuquerque, estava em reunião e pediu que a reportagem voltasse a ligar mais tarde. Ele, porém, não atendeu o celular. A assessoria de imprensa informou que a empresa deve se manifestar hoje.

Leonardo, que assumiu a presidência em fevereiro de 2012, indicado pela Eletrobras, vem repetindo que a piora no serviço é consequência do déficit de investimento acumulado nos quatro anos anteriores a sua gestão. Em entrevista ao POPULAR no ano passado, ele afirmou que a Celg ainda levará de dois a três anos para apresentar um bom nível de qualidade, depois de garantir o cumprimento do plano de investimentos, que exige no mínimo a aplicação de R$ 250 milhões anuais.

O governo estadual, que ainda detém a maioria das ações da Celg, se manifestou sobre o ranking por meio da holding CelgPar, que apontou “preocupação” com os resultados (leia reportagem ao lado).

O acordo para equilibrar as contas da Celg foi fechado entre governo goiano e Eletrobras em dezembro de 2011, mas por conta de divergências sobre a definição do valor da empresa até hoje não houve a federalização da empresa. A previsão é que a transferência de 51% das ações ocorra até o fim de junho.

Fonte: O Popular

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