Cai otimismo da indústria goiana

Confiança dos empresários do Estado atinge a menor pontuação em 3 anos, aponta pesquisa da Fieg

A confiança do empresário industrial goiano para os próximos meses apresentou o menor resultado desde novembro do ano passado ao atingir 57 pontos em junho. O resultado dá sinais de possível desaceleração na produção do Estado, que lidera no País nos primeiros meses deste ano, bem à frente do segundo colocado. O cenário não tão animador frente aos meses anteriores é reflexo de fatores internos e externos, como a ausência de uma solução para a crise europeia.

Com a sondagem, o Índice de Confiança do Empresário Industrial Goiano (Icei), pesquisado mensalmente pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), recuou 3,4 pontos em uma estimativa que aponta otimismo em resultados acima dos 50 pontos.

Frente ao mês de maio, o Icei de junho apresentou retração de 2,2 pontos e se configura a maior queda do ano, superando a de 1,6 pontos, registrada em março. O índice se manteve crescente de outubro de 2011 a fevereiro de 2012, quando alcançou 61,5 pontos. A partir daí, começou a mostrar escalas decrescentes sucessivas, mas sempre superiores às médias nacionais.

Vários fatores pesaram para que o ânimo dos empresários diminuísse nos últimos meses, em um reflexo das intempéries econômicas internacionais, aumentadas pela crise na União Europeia, na desconfiança sobre a economia doméstica e nos níveis de endividamento empresários.

Segundo o economista da Fieg, Cláudio Henrique de Oliveira, a retração no otimismo atingiu a menor pontuação desde 2009, mas não há motivos para alarde, já que o resultado ainda se apresenta em níveis que demonstram otimismo. Ele ressalta que o resultado sugere desaceleração no desempenho da indústria goiana, que cresceu 12,4% nos primeiros três meses do ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado está 6,3 pontos percentuais acima do segundo colocado, o Paraná, com alta de 6,1% no período. “Há sinais de redução do investimento ou não realização de investimento. Temos de ressaltar que essas situações estão sendo mitigadas por ações pontuais e não significam queda, mas desaceleração na produção industrial”, diz ele.

Comparativo

No indicador de condições, que avalia o posicionamento do empresário quanto à atual situação, em comparação com os últimos seis meses, a sondagem verificou queda de 3,2 pontos, partindo de 50,2 pontos em maio, para 47 pontos em junho. Sobre junho de 2011 a queda é de 1,1 ponto. O resultado do mês passado é a quarta pontuação abaixo dos 50 pontos no ano e a menor dos últimos três anos.

Além da confiança e das condições, o índice mede as expectativas do industrial. Nessa apuração, o índice se manteve otimista mesmo com queda de 1,5 ponto e se iguala ao resultado de novembro do ano passado. A maior pontuação dessa variante da sondagem foi encontrada em fevereiro (65,9 pontos).

Segundo Oliveira, o indicador não leva em conta as atividades e segmentos da indústria goiana, mas o porte. O recuo mais elevado foi o das grandes empresas em queda de 2,6 pontos. “Elas têm maior volume de negócios e, em grande parte, voltado para o mercado externo, que ainda se mantém muito instável”, explica. Seguem também em retrações no otimismo, as empresas de médio porte, com expectativa 2,1 pontos menor, e as de pequeno porte em queda de 1,3 ponto.

Fonte: O Hoje

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