Boa noite investidor: Pesquisa eleitoral do Brasil já pesa no mercado financeiro

Faltando exatos seis meses para a eleição presidencial no Brasil, os rumores de nova pesquisa mostrando o recuo nas intenções de votos para reeleger a presidente Dilma Rousseff, pesou no comportamento do mercado financeiro nesta quarta-feira.

A Bolsa de Valores de São Paulo reagiu e fechou com ganhos, segundo analistas ouvidos pelo Último Instante. Em paralelo, os juros futuros também recuaram diante da mesma “possibilidade”.

Esse comportamento, ainda alinhado com as estimativas dos analistas, é atípico, já que o Comitê de Política Monetária (Copom), está definindo hoje a nova taxa referencial de juros do País, a Selic. “O mercado aposta em novo aumento e precifica mais 0,25 p.p, mas a eleição presidencial já tomou conta das atenções do mercado”, disse um deles.

Enquanto isso, nos demais mercados, os indicadores da economia dos Estados Unidos contribuíram com algumas altas e uma “possível” retração da inflação na zona do euro, dividiu as apostas dos investidores nas bolsas europeias.

Hoje, Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse que “queda da inflação”, particularmente na área do euro, é um risco emergente para as economias avançadas. Ela apelou para uma maior flexibilização da política monetária pelo BCE.

Na ÁSIA, as bolsas encerraram a sessão desta quarta-feira em alta pelo sexto dia consecutivo, analisando a alta dos impostos no Japão.

O Bank of Japan (BOJ na sigla em inglês) divulgou uma pesquisa dizendo que as empresas domésticas devem esperar inflação de 1,5% este ano, um sinal de retração da deflação que dura no país há 15 anos.

Ao final desta jornada, em Hong Kong, o principal indicador, o Hang Seng, fechou em alta de 0,34% aos 22.523 pontos; na China, o índice SSE Composite, da bolsa de Xangai, subiu 0,56% aos 2.058 pontos; na Coreia do Sul, o índice KOSPI Composite acelerou 0,26% aos 1.997 pontos; na Índia, o índice BSE, da bolsa de Bombai fechou em alta de 0,47% aos 22.551 pontos; em Taiwan, o principal indicador, o TSEC Weighted, avançou 0,36% aos 8.905 pontos; e no Japão, o índice Nikkei 225, da bolsa de Tóquio, acelerou 1,04% aos 14.946 pontos.

Para esta sessão não foram divulgados indicadores econômicos.

Na EUROPA, as bolsas encerraram divididas nesta quarta-feira, depois dos dados do emprego no setor privado dos Estados Unidos. O aumento em 191 mil postos de trabalho, passando de 178 mil em fevereiro, de acordo com a Automatic Data Processing. Esse resultado ficou abaixo das expectativas de um acréscimo de 200 mil postos de trabalho, segundo The Wall Street Journal.

Hoje, em Londres, o índice Stoxx Europe 600 recuou 0,2% para ficar em 336.93 pontos.

Ainda nas sessões desta quarta-feira, o relatório do Eurostat mostrou que os preços ao produtor da zona do euro caíram em fevereiro, de 0,2% na comparação mês a mês, quando os preços de energia diminuíram. Na comparação anual, os preços ao produtor caíram 1,7%, correspondendo às expectativas medianas.

As ameaças de deflação para a zona do euro também pressionaram o Banco Central Europeu (BCE), que se reúne nesta quinta-feira, para atuar no esforço “para estimular a economia e enfrentar a questão da deflação”, disse ETX estrategista de mercado Ishaq Siddiqi.

Ao final da jornada, em Milão, o índice FTSE-MIB caiu 1,02% aos 21.692 pontos; em Madri, o índice Ibex 35 perdeu 0,26% aos 10.435 pontos; em Paris, o índice CAC-40 ganhou 0,09% aos 4.430 pontos; em Frankfurt, o índice DAX 30 avançou 0,20% aos 9.623 pontos; em Londres, o índice FTSE-100 subiu 0,10% aos 6.659 pontos; e, em Lisboa, o índice PSI-20 recuou 0,71% aos 7.680 pontos.

O desemprego registrado na Espanha caiu em março em relação ao mês anterior em um total de 16.620 pessoas e o número total de pessoas sem trabalho ficou em 4.795.866. Nos últimos cinco anos, a queda em março foi de uma média de 41.463 pessoas. Nos últimos 12 meses, a queda foi de 239.377 pessoas. Dividido em setores econômicos, o desemprego subiu na agricultura (6,87%), caiu na indústria (-1,10%), construção (-2,16%) e serviços (-0,69%).

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de Construção do Reino Unido registrou estabilidade em março, ficando novamente acima dos 50 pontos. O indicador britânico apontou 62,5 pontos no mês contra 62,6 pontos de fevereiro. O resultado ficou abaixo ao esperado pelo mercado, que previa alta para 63,1 pontos (previsão Forex Factory).

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu 0,2% no quarto trimestre de 2013 e 0,4% em toda a União Europeia (UE), acima do desempenho do trimestre diretamente anterior, quando a economia na zona do euro cresceu 0,1% e na União Europeia o PIB avançou 0,3%. No quarto trimestre de 2012, a economia caiu -0,4% na área da moeda única, e recuou -0,5% no conjunto dos 28 países.

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) na zona do euro caiu 0,2% em fevereiro em relação a janeiro. Na União Europeia, também houve queda de 0,2%, comparado ao mês anterior. Em janeiro, os preços caíram 0,3% tanto na zona do euro quanto na União Europeia, de acordo com o escritório estatístico europeu, o Eurostat. Na comparação com fevereiro de 2013, o PPI caiu 1,7% na zona do euro e 1,6% na União Europeia.

Nos ESTADOS Unidos, os principais índices acionários de Wall Street encerraram a sessão desta quarta-feira em alta, com destaque para o S&P 500, que ampliou a valorização recorde, após o desempenho do número de vagas geradas pelo setor privado alimentar o otimismo com o crescimento da economia.

Ao final dos negócios, o índice Dow Jones avançou 0,24% aos 16.573 pontos. O índice S&P ganhou 0,29% aos 1.890 pontos. A bolsa eletrônica Nasdaq valorizou 0,20% aos 4.276 pontos.

No país, em fevereiro, as novas encomendas à indústria subiram 1,6%, para US$ 488,8 bilhões. Excluindo transportes, considerados itens voláteis, o aumento foi de 0,7%.

Em março, o setor privado criou 191 mil postos de trabalho, contra 178 mil novos empregos criados em fevereiro. No mês, as pequenas empresas responderam pela geração de 72 mil postos de trabalho, enquanto as médias e grandes criaram 52 mil e 67 mil empregos no período, respectivamente.

No BRASIL, depois de começar o mês de abril em baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo retomou a trajetória ascendente e valorizou 2,85% aos 51.701 pontos, com giro financeiro de R$ 9,98 bilhões.

O Ibovespa ganhou força com rumores de mercado de mais uma pesquisa eleitoral que aponte perda de posição do governo, conforme explica o operador de mercado de ações da Uniletra, Waldney Trindade.

Além disso, a distribuição de dividendos da Petrobras e a troca de posições futuras por parte dos investidores dão força ao índice. Em cenário econômico interno, o mercado aguarda ainda o encerramento da reunião do Comitê de Política Econômica (Copom), que anuncia na noite desta quarta-feira a decisão para a taxa de juros.

Boa parte dos investidores trabalha com uma elevação de 0,25% na Selic, para 11,00% ao ano. Trindade acredita que o Banco Central deva levar os juros, no máximo, a 11,50% ao ano.

Já para a sessão desta quinta-feira, a expectativa é de alta, com base nos indicadores a serem divulgados. Entretanto, o operador de mercado de ações da Uniletra aponta a possibilidade que o Ibovespa realize os lucros apresentados hoje.

Nos Estados Unidos, em fevereiro, as novas encomendas à indústria subiram 1,6%, para US$ 488,8 bilhões. Excluindo transportes, considerados itens voláteis, o aumento foi de 0,7%.

Em março, o setor privado criou 191 mil postos de trabalho, contra 178 mil novos empregos criados em fevereiro. No mês, as pequenas empresas responderam pela geração de 72 mil postos de trabalho, enquanto as médias e grandes criaram 52 mil e 67 mil empregos no período, respectivamente.

Ações

Dentre as ações que integram o Ibovespa, as maiores altas foram registradas pelas ações da Oi PN (6,94% a R$ 3,08); Gafisa ON (6,52% a R$ 3,76); Gol PN (6,27% a R$ 11,70); Eletrobras PNB (5,89% a R$ 11,51) e Bradespar PN (5,53% a R$ 20,80).

Na outra ponta estiveram os papéis da Cia Hering ON (-0,73% a R$ 25,81); Brookfield ON (-0,68% a R$ 1,46); Embraer ON (-0,49% a R$ 20,27); Souza Cruz ON (-0,34% a R$ 20,52) e Telef Brasil PN (-0,23% a R$ 46,85).

Carteira teórica

Dentre os papéis com maior peso na carteira teórica (que vigora de 6 de janeiro a 2 de maio de 2014) a Petrobras PN (PETR4) subiu 4,62% a R$ 16,55; a Vale PNA (VALE5) aumentou 3,96% a R$ 29,38; Itauunibanco PN (ITUB4) ganhou 3,22% a R$ 35,25; Bradesco PN (BBDC4) teve alta de 2,41% a R$ 32,27; e Petrobras ON (PETR3) valorizou 4,05% a R$ 15,66.

O DÓLAR Comercial fechou em alta nesta quarta-feira. No interbancário, a divisa ficou cotada a R$ 2,269 na compra e R$ 2,267 na venda, variação de 0,30%.

No mercado futuro, o contrato para maio negociado na BM&F tinha alta de 0,46% a R$ 2,289.

“O dólar subiu na abertura, permanecendo no patamar de R$ 2,27. O mercado está de olho na reunião do Copom e no desempenho dos indicadores dos Estados Unidos, que vieram dentro do previsto”, informa Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Corretora Treviso.

“O saldo do fluxo cambial também foi considerado, sinalizando o retorno de capital para o Brasil”, completa.

Para esta quinta, o dólar acompanhará a decisão do Copom, embora o mercado já precifique o aumento.

Leilão

O Banco Central informou o resultado do leilão diário de contratos de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro.

No leilão, a autoridade vendeu todos os 4 mil contratos ofertados em dois lotes. A operação com vencimento em 01 de dezembro de 2014 aceitou todas as 4 mil propostas e arrecadou US$ 198,5 milhões. Já a operação com vencimento em 01 de outubro de 2014 não aceitou nenhuma proposta.

De acordo o Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), as propostas foram acolhidas entre às 09h30h e 09h40.

Os CONTRATOS de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecham em queda na BM&F. O que se viu foi uma ligeira abertura nos contratos com vencimentos para maio de 2014 e um fechamento na parte intermediária e longa da curva de juros.

“Os juros fecharam nessa sessão, sem ter muito relação com a Selic, já que o mercado espera 0,25 p.p., mas seguem os rumores de uma nova pesquisa eleitoral mostrando uma queda na preferência de Dilma Rousseff. A indicação deve ser essa, já que a bolsa está subindo, as ações de empresas do governo também estão pesando”, disse o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Perto do fechamento, os vencimentos para maio de 2014 subiam 0,01 p.p 10,78%; os contratos para julho de 2014 subiam 0,01 p.p a 10,81%; os vencimentos para outubro de 2014 caíam 0,01 p.p a 10,96%; os contratos para janeiro de 2015 tinham baixa de 0,02 p.p a 11,12%; os vencimentos para janeiro de 2017 caíam 0,04 p.p a 12,47%; os contratos para janeiro de 2021 estavam em queda de 12,80%.

A produção industrial brasileira acelerou 0,4% em fevereiro na comparação com janeiro, o segundo mês de alta. No ano, o aumento acumulado é de 4,2%. Já ante o mesmo mês de 2013, o desempenho mostra alta de 5%.

Segundo o IBGE, a atividade industrial cresceu em 19 dos 27 segmentos analisados, com destaque para o desempenho do setor de veículos automotores, cuja alta de 7% interrompeu o comportamento negativo registrado desde outubro.

Outras contribuições positivas vieram dos setores de equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros, bebidas, alimentos, borracha e plástico, metalurgia básica e fumo.

A inflação ao consumidor paulista, medida pela Fipe, diminuiu a pressão na quarta quadrissemana de março, ao sair de 0,76% para 0,74%. Porém, na comparação com o mesmo período de fevereiro, o IPC registrou alta, pois naquele período o índice estava em 0,52%.

Segundo a Fipe, na comparação quadrissemana, quatro das sete classes ficaram mais inflacionadas: alimentação, transportes, despesas pessoais e saúde. Na comparação mensal, três classes tiveram alta: alimentação, transportes e vestuário.

Também no campo inflacionário, a inflação ao consumidor subiu em quatro das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas em março. A maior alta foi registrada em Porto Alegre, onde a inflação ficou em 1,07%, enquanto no Recife foi registrada a menor variação, de 0,34%. Em março, o IPC nacional fechou em 0,85%.

Ainda em cenário nacional, na noite desta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerra mais uma reunião para definir a taxa básica de juros. Segundo as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central, a Selic deve subir 0,25 p.p, para 11,00% ao ano. Parte do mercado projeta ainda mais uma elevação de 0,25 p.p, levando a taxa básica de juros a 11,25%.

Fonte: último Instante

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