Bandeira verde é esperada em 2016, diz diretor da Aneel

Com cenário hidrológico adverso, as usinas termoelétricas foram acionadas e um “custo real” da energia foi repassado ao consumidor, que viu a conta subir 51,40% neste ano em Goiás. Mas um alívio para o bolso já é esperado, ao menos com a redução da bandeira tarifária. Em entrevista ao POPULAR, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) André Pepitone da Nóbrega afirmou que expectativa com período úmido, que se inicia em outubro, é de bandeira verde para 2016.

O cenário para a geração hídrica viveu um período muito crítico até agosto, conforme explica, e por isso as térmicas tiveram de ser acionadas e desde janeiro os brasileiros conviviam com a bandeira vermelha, que acrescentava R$ 5,50 para cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumido. “Como o cenário melhorou e os reservatórios começaram a acumular água, com o realismo tarifário, identificamos oportunidade de passar para R$ 4,50 a partir de setembro a bandeira vermelha”, lembra.

A bandeira verde para o ano que vem é esperada porque os reservatórios continuam com acúmulo de água considerado bom, mesmo para o período seco. Chuva não é necessariamente uma das responsáveis por isso. No caso de Goiás, por exemplo, é considerada dentro da média para a época do ano, de acordo com o Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado (Simehgo). Já a baixa do volume útil das usinas hidrelétricas – responsáveis por maior parte da geração – vista no início deste ano foi em consequência da deficiência vivida no período úmido de 2014.

Economia

Para alimentar suficientemente os reservatórios, é preciso de chuva suficiente nas cabeceiras dos rios que alimentam os reservatórios, quanto ao quê não há garantias. Por outro lado, o diretor da Aneel pontua que há um fator agregado que possibilitou melhora: a economia. “Até pelo custo da energia, as famílias brasileiras passaram a adotar práticas eficientes para o consumo de energia, o que permitiu a redução de consumo e melhoria do cenário hidrológico.”

De 1° a 15 de setembro, houve redução no consumo de 5,4% e na geração de 5,6% no País comparado com o mesmo período de 2014, conforme boletim da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em todo o período de seca há reserva de água nas usinas para o ano seguinte, por isso as condições atuais, mesmo antes das chuvas, são favoráveis à redução da bandeira tarifária, pois há maior retenção.

No calendário previsto para divulgação das bandeiras, definido conforme datas de reuniões do Programa Mensal da Operação (PMO) e ONS, está que no dia 23 de dezembro será definida qual será aplicada em janeiro de 2016. Outro alívio para o bolso do consumidor foi adiantado pelo diretor-geral da Aneel, Romeo Rufino, em maio, de que as tarifas de energia terão redução no ano que vem, porque o custo está no máximo.

A diversificação da matriz também é ponto importante para uma energia mais barata e para a segurança energética, porque tira a dependência do cenário hidrológico. “O custo da energia hoje alcança patamares expressivos pelo momento adverso. O consumidor teve de pagar o combustível da térmica”, diz Nóbrega. As fontes renováveis, acrescenta, trazem um preço que contribui com a modicidade tarifária. Usinas de grande porte, como Giral, o preço pago é de R$ 116 o MWh. Itaipu, com custos em dólar, sai por R$ 157 e as térmicas, R$ 320.

Fonte: O Popular

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