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Avanço de abate de matrizes faz arroba do boi disparar

Muito além da estiagem que impediu o crescimento de pasto para engordar o rebanho goiano, a disparada do preço da arroba em Goiás nos últimos meses é reflexo do avanço do abate de matrizes em 2013. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) revelam que o abate de fêmeas aumentou 39% no ano passado, contribuindo para menor oferta de gado e para a alta da arroba neste ano.

Os números são claros: no primeiro semestre do ano passado foram abatidas em Goiás 1.162.362 vacas. No mesmo período de 2012, este saldo era de 833.370. A redução da população de vacas interferiu na oferta e, por isso, elevou os preços da arroba do boi (veja quadro).

“A oferta no mercado, hoje, está menor e os preços bem maiores”, afirma o consultor de Comercialização de Pecuária de Corte de Rio Verde, Fausto Ribeiro da Silva.

Segundo ele, no ano passado, o abate de matriz foi acima da média tanto em Goiás quanto no País. Este processo, chamado pelos pecuarista de “descarte de fêmeas”, ocorre, geralmente, quando os preços da arroba estão em baixa no mercado – exatamente como ocorreu em 2013, quando os preços ficaram estagnados em todo o primeiro semestre do ano.

“O produtor acaba abatendo as matrizes para gerar mais renda para manter sua propriedade. Este processo é comum no mercado”, diz o analista de Mercado da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Pedro Arantes. Segundo ele, o efeito do avanço do abate de matriz em 2013 sobre o preço da arroba era esperado para o período da entressafra de 2014 – que começa em junho. Mas acabou sendo antecipado.

O aumento veio a galope. O abate de matrizes atingiu primeiro a oferta de bezerro. O preço disparou. Em seis meses, saiu R$ 800,00 para chegar a R$ 1,2 mil – R$ 400,00 a mais do há menos de seis meses. Toda a cadeia acabou sendo afetada a partir daí. “Depois foi o boi magro que ficou mais caro até chegar ao boi gordo”, afirma.

O preço da arroba do boi gordo no ano passado ficou na média em R$ 93,00. Neste ano, teve uma guinada surpreendente. Saiu de R$ 105,59 em janeiro para a média de R$ 114,00. Em março do ano passado, a arroba era comercializada a R$ 88,62. Ontem, atingiu o maior valor deste ano: R$ 119,48.

O boi rastreado, por sua vez, acompanhou a alta. O preço da arroba saiu de R$ 107,34, em janeiro, para R$ 118, na média deste mês de março. No mesmo mês do ano passado, era vendido a R$ 89,99. Ontem, o preço máximo da arroba do boi fechou em R$ 120,71 para pagamento à vista, e a do boi rastreado fechou em R$ 122,76.

ABRANGÊNCIA

O problema ocorre em todo País, relata o consultor Fausto Ribeiro da Silva. “Antes, quando faltava gado aqui, os frigoríficos corriam para Minas Gerais. Agora isso não está acontecendo mais porque a falta é geral. Não tem boi em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo”, afirma.

O abate de matrizes para recompor as perdas pelos produtores, porém, não é a única causa da diminuição da oferta. A estiagem que atingiu os Estados do Centro-Sul fez os pastos crescerem pouco, deixando os bois mais magros. A alta rentabilidade da soja em 2013 também levou produtores a direcionarem seus investimentos para os grãos.

“Para completar essa situação, nosso custo de produção subiu muito”, diz o produtor Osvaldo Guimarães, de São Miguel do Araguaia. Segundo ele, houve avanço no preço da ração, cilagem, terra e aluguel de pastos. “Tudo isso onerou o produtor, que também teve de repassar os seus custos. Ninguém previa que o boi de confinamento e de pasto chegassem, em plena safra, a este preço no País”, afirma.

Osvaldo destaca que o preço da arroba em alta, hoje, está servindo para cobrir as perdas registradas em 2013. “Mas isso não quer dizer que o pecuarista está ganhando mais. Estamos recompondo as perdas, que foram muitas no ano passado”, justifica.

MUDANÇA

Analistas consultados pelo POPULAR apostam numa melhora de oferta de boi a partir do mês de maio deste ano, que poderá pressionar o preço da arroba para baixo. Em fevereiro, diante do cenário de alta do preço da arroba, mais gado foi levado para o confinamento.

“Esse gado fica pronto em 90 dias, ou seja, em maio. O gado de pasto também está engordando bem com as chuvas que começaram a cair em fevereiro. A oferta deve melhorar até lá”, afirma Fausto Ribeiro da Silva.

O analista de Mercado da Faeg, Pedro Arantes, diz que a alta do preço da arroba desde o início deste ano fez o produtor diminuir drasticamente o abate de matriz. “Agora, muitos estão esperando o gado engordar para começar a vender a partir de maio”, afirma o analista.

Falta de gado atinge produção dos frigoríficos goianos

Os frigoríficos estão realizando uma verdadeira saga em busca de boi para abate em Goiás. A falta de “produto” atinge em cheio a indústria. A alternativa é acionar os pequenos, nunca antes procurados para negócio. “A indústria está aceitando as condições impostas. Mas está faltando boi em tudo quanto é canto”, revela o representante de um grande frigorífico de Goiás, que pede para não ser identificado pela reportagem.

Há relato de que grandes e médios frigoríficos tenham diminuído a produção no Estado.

DIFICULDADE

Oficialmente, a informação não é confirmada. Nenhum representante de frigorífico contactado pela reportagem ontem aceitou falar sobre o assunto.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes no Estado (Sindicarne), José Magno Pato, reconhece que o problema teve origem com a estiagem e com o abate de matriz. “ Todos os frigoríficos estão dificuldade. Esperamos a normalização o mais breve possível”, afirma.

Fonte: O Popular

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