Aluguel de apartamentos desacelera

Procura nesse período deveria ser intensa, dizem os locatários, mas caiu até 50%

Os meses de maio e junho, geralmente, são de transição e de grande procura para o ramo locatário residencial. É o que dizem as próprias imobiliárias. Mas este ano o cenário mudou. A reportagem de O HOJE ouviu dez imobiliárias e nove delas relataram queda em relação ao ano passado. Uma delas chegou a dizer que caiu em 50% a busca em 2014.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias (SicoviGoiás), Benjamim Ragonezi, o mercado de imóveis de aluguel está realmente desaquecido. “Em geral o mercado está em baixa. Mas tem alguns modelos em que a procura ainda é grande”, comenta. As imobiliárias acreditam que com o acesso ao crédito facilitado, a oferta de imóvel para compra cresceu, sendo a principal razão para a baixa procura pelos alugueis.

O levantamento mostra que 70% da procura é para apartamentos de até dois dormitórios. Ou seja, até 70 m². Ragonezi afirma que o preço também influencia na escolha pelo imóvel. “Os apartamentos com preços de até mil reais alugam tudo. Muito difícil ficar vago muito tempo”, conta. Os preços, segundo as imobiliárias, dependem de localização, se o apartamento é mais novo, ou mobiliado. Mas a partir de R$ 900 os consumidores já conseguem achar um bom lugar para morar.

A média de idade dos inquilinos para este tipo de imóvel é de 25 anos. Conforme os dados da pesquisa, eles são estudantes, ou casais de no máximo um filho. O vice-presidente da Secovi diz que as pessoas que vêm do interior também alugam bastante esse modelo, seguido dos universitários.

“As pessoas que vêm do interior procuram primeiramente esse tipo de apartamento, principalmente para sentir a cidade, conhecê-la e só depois ver aonde compensa comprar”, afirma.

“Os universitários geralmente buscam um lugar para morar sozinho, ou para dividir com alguém, por isso a procura é tão grande. E a maioria também vem do interior”, relata Ragonezi.

Este é o caso de Vinycius Ferreira, de 24 anos. O estudante veio de Araçu, a 84 quilômetros de Goiânia, para fazer faculdade. No início, ele conta que morou em uma república. “Morei algum tempo em uma república e a cada mês chegava alguém novo. Cheguei a morar com 10 pessoas mais ou menos”, relata.

Foi a partir daí que Vinycius decidiu morar sozinho. “Demorou um pouco por causa da localização. Comecei a olhar e não tinha nenhum próximo da minha faculdade. Muitos apareciam e nenhum era do jeito que eu queria. Até que eu encontrei um apartamento ali no final do setor universitário, perto do Jardim Goiás e mudei”.

O fator financeiro também contribuiu para a mudança. “Gostei do lugar também porque não é tão caro, o que ajudou muito na escolha”, ressalta.

Wesley Cruz, de 38 anos, é outro exemplo. Ele alugou um apartamento na Cidade Jardim, próximo ao prédio do banco onde trabalha. Os moldes do imóvel são os mesmo: de até 70m², mas a razão difere. “Prefiro morar sozinho por conta da privacidade, da independência. Já fui casado e agora quero um lugar só para mim”, relatou.

Wesley preferiu um apartamento de dois quartos, pois recebe o irmão e a sobrinha casualmente. “De vez em quando eles vêm passar o final de semana, ou férias, por isso eu preferi dois quartos”.Quanto à procura, ele diz que foi rápida. “Foi tranquilo. Não demorou muito. Em menos de duas semanas eu consegui alugar”, diz.

Fonte: O Hoje

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