Alta em Goiânia foi a maior do País

O preço da carne subiu 6,58% mês passado em Goiânia, o maior porcentual das capitais pesquisadas. O aumento, conforme o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Maurício Velloso, é consequência da menor oferta de gado para abate no mercado.

Entre os anos de 2008 e 2013, explica, o setor sofreu com a elevação de custos de produção e queda do valor da arroba do boi. Com isso, sem recursos para investir na recomposição total do rebanho, pecuaristas abateram um número acima do normal de matrizes e continuaram a vendê-las mesmo após a recuperação dos preços, com o intuito de melhorar as pastagens degradadas.

De quebra, como Goiás é o maior polo de confinamento do País, é responsável por abastecer os mercados de São Paulo e Minas Gerais que há três anos sofrem com menor volume de precipitação. “A recuperação total do rebanho só vai acontecer daqui dois anos. Isso significa que teremos preços estáveis com ligeira alta durante este período”, afirma Maurício.

O proprietário da Casa de Carne Avenida, Vicente Barbosa, sente a retração do consumidor. “O cliente que levava um quilo, agora leva menos”, diz. Isso porque o preço do quilo do coxão mole saltou de R$ 18,90 para R$ 22,90 – aumento de 21%. Vicente explica que, no geral, está comprando a carne 25% mais cara. Para não assustar o consumidor, tende a não repassar o porcentual total, especialmente na carne de segunda. “Ela sai menos, então temos que segurar um pouco mais”, argumenta”.

O operador de caldeira, Wagner Araújo Silva, compra 24 litros de leite por mês e está assustado com o aumento do valor do produto. Há cerca de cinco meses, faz pesquisas em três supermercados antes de fechar a compra para o consumo da família. Mesmo com todo esse malabarismo, gastou R$ 62,4 com a compra de leite no mês passado ante R$ 50,4 nos meses antecedentes. “Já tentei diminuir a quantidade de leite de meus três filhos, coloquei mais suco ou chá, mas não está dando certo. O jeito é ir atrás de promoção”, afirma.

De agosto para setembro, o preço do litro do leite subiu 2,89%. Essa elevação é reflexo do aumento do custo de produção e pouca oferta de leite típica do período de estiagem. Este ano, a crise de recursos hídricos em São Paulo e Minas Gerais, grandes produtores de leite, veio como aditivo para um aumento mais forte. “A indústria está com dificuldade de equilibrar os estoques de todos os Estados”, diz Maurício.

Ele lembra ainda que entre o período de estiagem, maio e novembro, a alimentação do gado de leite é feita com silagem. “Ela ficou muita cara este ano em função da seca”, diz.

O ritmo da pressão inflacionária só não foi maior em função da queda de preços do tomate (-10,65%), batata (-5%), banana (-7,14) e feijão (-5,88%).

“É comum caírem os preços desses alimentos nessa época do ano e isso foi importante para que a cesta básica não tivesse um aumento ainda mais significativo”, diz a supervisora técnica do Dieese, Leila Brito.

Fonte: O Popular

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