SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE GOIÂNIA – SINDMETAL – GO

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A conta que não fecha: consumo de energia cresce e oferta cai

Procura aumentando e oferta diminuindo. Qualquer iniciante da matemática sabe que esta é uma conta que não fecha. E é isso que vem acontecendo no setor elétrico, segundo apontam dados estatísticos, anunciando grandes problemas para o próximo ano se o clima não ajudar. Os reservatórios de Goiás, de grande importância para o País (reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste respondem por 70% da energia armazenada do Brasil), estão em níveis críticos e o consumo de energia só vem crescendo ano a ano. Enquanto a energia armazenada dessas regiões caiu de 69,16% em outubro de 2009 para 18,68% em outubro deste ano, a carga de demanda registrada subiu de 38959,95 MWh/h para 48270,35 MWh/h no período

Com as hidrelétricas nos níveis mais baixos dos últimos anos, os brasileiros já estão olhando para o céu e pedindo muita chuva. E a preocupação tem fundamento. Se não chover continuamente pelo menos 45 dias durante este período chuvoso, o País corre o risco de enfrentar medidas para conter o consumo em 2015. Isso significa que a população pode ter de arcar com uma supertarifação das contas ou até enfrentar cortes no fornecimento.

O Brasil já enfrentou uma crise do apagão, que afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica entre 1º de julho de 2001 e 27 de setembro de 2002, também causada pela falta de chuvas. O cenário atual parece igual ou pior aos olhos de especialistas. Hoje, alguns reservatórios estão com níveis mais baixos que naquela época, como o de São Simão, com cerca de 12%, contra 22,7% em novembro de 2001. O mesmo ocorre com Furnas, em Minas Gerais, um dos mais importantes do País, que hoje está com pouco mais de 11%, contra 17,7% em 2001. O Operador Nacional do Sistema (ONS) não admite, no entanto, a possibilidade de racionamento.

Dificuldade

A capacidade de geração de energia de uma usina depende do nível do reservatório. O professor Augusto Fleury, do curso de Engenharia Elétrica da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), que por décadas trabalhou no setor elétrico, explica que, com o reservatório mais cheio, o gerador da usina consegue produzir muita energia com facilidade. Com ele esvaziando, há perda de altura da queda de água e menos potência gerada.

Nessa situação, a turbina precisará “engolir” mais água para produzir a mesma energia, o que esvazia o reservatório mais depressa. “Estamos com estoque mais baixo e gastando mais por conta dessa baixa potência”, completa o professor. Com isso, fica mais difícil atender o aumento da carga de demanda, resultado também do aumento no consumo de aparelhos elétricos.

Por isso, hoje o País recorre às termelétricas no nível máximo na tentativa de poupar água dos reservatórios. Elas já atendem 20% da necessidade. Por tudo isso, Augusto Fleury alerta que, se não chover continuamente em Goiás, Sul de Minas, Triângulo Mineiro, Noroeste Paulista e Nordeste do Mato Grosso do Sul, onde estão reservatórios importantes, dificilmente o País atravessará 2015 sem restrições no consumo.

“Já estamos marchando para o racionamento desde o ano passado, pois São Pedro não tem sido camarada”, brinca. A forma mais branda de restrição pode ser a supertarifação, que obrigaria o consumidor a reduzir o consumo naturalmente.

O País trabalha com um risco de déficit na faixa dos 5%. “Pode parecer pequeno, mas a garantia de suprimento exige um risco abaixo dos 2%”, adverte. Ele lembra que outubro já não registrou um regime contínuo de chuvas, o que ainda não está acontecendo em novembro. Recentemente, o ONS afirmou que, apesar do baixo nível dos reservatórios, o período chuvoso está se iniciando dentro da normalidade.

O presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria, também não descarta a possibilidade de racionamento. Segundo ele, com o nível baixo dos reservatórios e a demanda por energia crescendo 3%, não haverá tempo de enchê-los até abril para atender a demanda.

Já o presidente do Instituto Acende Brasil, centro de estudos para transparência e sustentabilidade do setor elétrico, Cláudio Sales, prefere não falar em racionamento. Lembra que o ONS só deverá fazer essa análise no fim do período chuvoso.

Fonte: O Popular

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