77% consideram o Brasil um país burocrático e defendem simplificação

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ibope, mostra que para 77% dos entrevistados o Brasil é um país muito burocrático ou burocrático, e 62% dizem que a redução da burocracia deve ser uma das prioridades do governo. O levantamento foi feito com 2.002 pessoas em 142 municípios.

Dado o grau de dificuldade para a realização de serviços ou procedimentos no país, parte da população brasileira afirma ter recorrido ao uso de despachantes ou empresas especializadas ou ter pedido ajuda/auxílio de parentes ou amigos para a realização de serviços ou procedimentos.

Entre as 25 opções de serviços ou procedimentos elencados na pesquisa, fazer imposto de renda foi a opção em que os entrevistados dizem mais ter demandado auxílio de profissionais especializados.

41% não sabem declarar IR sozinhos

Segundo a pesquisa, 41% dos entrevistados afirmaram não saber fazer sozinhos a declaração do Imposto de Renda: 29% responderam ter contrato uma empresa especializada para realizar o procedimento e outros 12% disseram ter buscado ajuda de parentes ou familiares.

Em seguida, aparece o encerramento de empresa, procedimento para o qual 27% contrataram empresa especializada. O mesmo ocorreu com as pessoas que abriram uma empresa.

Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros acreditam que os serviços ou procedimentos mais complicados são em primeiro lugar encerrar uma empresa, em segundo abrir ou constituir uma empresa, em terceiro comprar um imóvel, em quarto fazer um inventário e, em quinto lugar requerer aposentadoria ou pensão. Na sequência, vem tirar passaporte, conseguir licenças para construção ou reforma da casa e alugar um imóvel. Os procedimentos considerados menos difíceis são tirar o CPF, tirar a carteira de identidade, tirar carteira de trabalho, fazer o registro de nascimento e o de casamento.

Entre os procedimentos em que os entrevistados menos precisaram de ajuda estão limpar o nome na Serasa ou no Serviço de Proteção ao Crédito, pedir o desligamento de serviços de água e luz, e receber direitos trabalhistas, como FGTS e seguro-desemprego. Nesses três casos, mais de 90% das pessoas afirmaram terem feito o trabalho sozinhas.

Na avaliação de 77% dos brasileiros, os documentos de identificação, como carteira de identidade, CPF, carteira de motorista, título de eleitor e cartão do PIS-Pasep deveriam ser unificados. “A medida reduziria o excesso de documentos exigidos para que os cidadãos possam exercer seus direitos e deveres”, diz a pesquisa da CNI. Entre as pessoas com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 81% defendem a unificação dos documentos de identificação. O número cai para 70% entre os que têm renda familiar de até um salário mínimo, informa a pesquisa feita entre 5 e 8 de dezembro de 2014.

Gastos e corrupção

Segundo a pesquisa, 74% concordam total ou parcialmente que o excesso de burocracia desestimula os negócios, incentiva a corrupção e a informalidade e faz o governo a gastar mais do que o necessário. A pesquisa indica ainda que 77% acreditam que o excesso de burocracia é uma das principais dificuldades para o crescimento da economia brasileira. Entre as pessoas com renda familiar acima de 5 salários mínimos, esse número sobe para 82%.

A pesquisa mostra ainda que 60% das pessoas concordam totalmente ou em parte que a burocracia afeta mais as empresas do que os cidadãos. Além disso, 75% afirmam que o excesso de burocracia eleva os preços dos produtos e serviços. Na região Sul, esse número aumenta para 84% e, no Sudeste, alcança 80%.

A maioria da população brasileira acha que a redução da burocracia deve ser uma das prioridades do governo: 42% concordam totalmente que o governo deveria eleger o combate à burocracia como uma de suas prioridades e 30% concordam parcialmente. Apenas 7% discordam totalmente da afirmativa.

Fonte: G1

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