13º do goianiense vai para quitar dívida atrasada

“No momento, prioridade são as contas”. Assim a auxiliar de serviços gerais, Raimara Lima das Chagas, estabelece a meta para o gasto do 13º salário. Ela faz parte da grande maioria em Goiânia. De acordo com um estudo da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), divulgado ontem, 41,9% dos goianienses vão usar a gratificação natalina para o pagamento de dívidas.

No entanto, Raimara Lima não resistiu e aproveitou o dinheiro extra para comprar alguns presentes. “Hoje mesmo eu vim pagar contas no centro, mas já comprei um ventilador e um aparelho de DVD. O restante eu vou fazer umas comprinhas. Talvez roupas e calçados e ainda quero comprar umas lembrancinhas para minha mãe”, conta.

O superintendente executivo da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiás (CDL), Marco Antônio Milharci, lembra que tradicionalmente em Goiás a primeira parcela do 13º salário, que é pago em novembro, geralmente é destinado para quitar as dívidas. E o segundo pagamento, em dezembro, é voltado para o consumo. “O que é extremamente benéfico para o comércio durante o natal, período de maior venda do ano”. Pela legislação trabalhista, o empregador tem até 30 de novembro para pagar a primeira parcela do benefício.

De acordo com a pesquisa, 15,7% dos entrevistados pretendem aplicar o dinheiro na poupança. Já a compra de presentes natalinos é a opção de 12,5%, crescimento de 2,9 pontos percentuais em relação ao levantamento do ano anterior.

“Com esse dado nossa expectativa fica ainda melhor e deixa os comerciantes mais otimistas. Estamos vendo com bons olhos esse fim de ano. Tivemos um ano conturbado, mas esperamos uma melhora e um estímulo a mais para os investimentos dos lojistas”, ressalta Marco Antônio Milharci.

Segundo a estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (Dieese), cerca de 2,4 milhões de goianos receberão o 13º salário este ano, o que deve movimentar um montante de R$ 3,97 bilhões na economia goiana. Um salto de 10% na comparação com ao ano anterior.

Confira dicas para utilizar o salário extra

Para o presidente da DSOP Educação Financeira e terapeuta financeiro, Reinaldo Domingos, este é o momento ideal para promover uma “faxina” financeira no orçamento, com o objetivo de diagnosticar a atual situação das contas e decidir o que fazer com o 13º salário.

“Só sabe quanto pode gastar, sem ficar no vermelho, quem sabe exatamente quanto entra e quanto sai do bolso mensalmente. O endividamento é um problema que tem de ser resolvido com o próprio salário. Ou seja, com a redução nos gastos e não com o 13º”, diz.

Segundo ele, assim as pessoas podem analisar de uma forma mais clara qual a melhor maneira de gastar o 13º. “Verifique se está endividado. Além disso, certifique-se de que, mesmo estando no azul, de que vai conseguir pagar as compras que pretende fazer nesse final de ano, cujas parcelas que se arrastarão pelo ano seguinte, somando-se aos gastos extras com impostos e escola”.

Outra dica é “cair na real” e pedir descontos. “Faça escolhas que estejam dentro do seu padrão de vida. Se as condições não permitem, procure outras opções mais prazerosas e de menor valor. O ideal é não se endividar com compras e viagens de final de ano. Pesquise os melhores preços de presentes e itens da ceia e das festas, e experimente estipular um valor máximo a gastar com cada item e peça desconto, sempre”, afirma.

Investidores

Já para aqueles com perfil investidor, o décimo terceiro é oportunidade para incrementar o investimento. Na opinião do terapeuta financeiro, do montante total, 50% pode ser destinado para alguma aplicação que a pessoa já possua e outros 50% pode servir para planejar um salto em direção à sua independência financeira, investindo, por exemplo, em previdência privada. Ele lembra que o fim do ano também é tempo de fazer planos para o futuro. (PN)

Fonte: O Hoje

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